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Entrevista com Lisa Kalil, indicada ao 16th Independent Music Awards

Entrevista com Lisa Kalil, indicada ao 16th Independent Music Awards

Lisa Kalil.

A cantora Lisa Kalil foi indicada para o Independent Music Awards (IMAs) na categoria melhor álbum de estreia com seu EP “Vitrais”. O evento é a maior premiação de música independente do mundo e acontece em 31 de março na cidade de Nova York.

Além de Lisa, outros seis brasileiros estão indicados para concorrer com mais de 400 artistas de 94 países em 96 categorias. São eles: Gabriella Grisi, Delia Fischer, Jô Nunes, Sai da Frente, Celso Salim Banda e Gustavo Ballesteros.

Graduada em 2016 pela Universidade The New School, em Nova Iorque, a cantora conseguiu bolsa nos cursos de Jazz Vocal Performance e Culture e Media. Para realizar esse sonho de estudar fora do Brasil, Lisa precisou ter inglês fluente e argumentação necessária para convencer a administração das escolas que precisava da ajuda.

Apesar das dificuldades, a artista cita que foi uma experiência incrível e que teve o prazer de conviver com pessoas de origens tão distintas. “Os colegas internacionais me ensinaram a entender a complexidade de outros países e a valorizar a minha origem. Por isso, estudar música fora do país foi uma experiência de muitas, novas e diferentes sensibilidades”, completa Lisa.

Durante os cinco anos que viveu em Nova York, a cantora fez mais de 40 shows com artistas internacionais por meio do apoio do Brasil Music Exchange (BME), projeto de exportação de música brasileira realizado por meio de uma parceria entre a Brasil, Música & Artes (BM&A) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Criação do disco

Depois de formada, Lisa voltou para São Paulo e, através da plataforma virtual de financiamento “Kickante”, arrecadou dinheiro para produzir seu primeiro álbum. O projeto teve início em maio de 2017, e após 40 dias de campanha já havia conseguido R$ 30 mil. Esse valor era 120% do objetivo inicial. Dessa forma, a condição para a criação do EP já era melhor do que a artista imaginava.

Inicialmente, o projeto era para ter apenas cinco músicas. Entretanto, o sucesso da doação fez o disco evoluir e o álbum foi produzido com cinco canções autorais e duas regravadas.

O BME aproveitou a indicação para conversar com Lisa, que falou sobre questões que envolvem sua carreira e expectativa quanto ao prêmio.

BME: Como você se sente com a indicação para o 16th Independent Music Awards?

Lisa:
Ser indicada ao 16th IMA mexeu muito comigo. Recebi a notícia no último dia de carnaval e meu “começo de ano”, de repente, ficou mais agitado do que eu poderia ter planejado. “Vitrais” é o meu primeiro álbum, e ver ele nomeado em uma premiação tão respeitada e com jurados que eu cresci admirando, me traz a sensação de que estou no caminho certo.

É uma honra também estar entre os sete brasileiros indicados este ano na premiação e representar a música brasileira para o mundo. Assim que soube que tinham outros brasileiros na premiação, tomei a iniciativa de criar um grupo no Facebook para nos comunicarmos e construirmos uma visão de grupo e de apoio mútuo.

BME: Dos sete indicados para o prêmio, quatro são mulheres. Como você enxerga a posição feminina no cenário musical?

Lisa: É claro que o fato de entre os sete indicados, quatro serem mulheres, é uma feliz coincidência. Mas, neste momento em que as mulheres se expõem mais e estão tendo inciativas como o “não é não”, no Brasil, ou o “me too” na festa do Oscar, é muito significativo mostrar a força da mulher também nas frentes artísticas.

Há uma criatividade musical feminina que precisa ser cada vez mais reconhecida e valorizada pelo mercado, sem que se torne apenas mais um modismo ou tendência daquele momento. Por isso, o meu recado para as mulheres é que elas se dediquem a estudar, pesquisar, ensaiar, aprender instrumentos e defender seus espaços nos palcos.

BME: Como você acha que a música brasileira é vista internacionalmente?

Lisa: Na minha experiência de estudante de música na New School, em Nova York, pude constatar que a admiração pela música popular brasileira é constante entre professores e boa parte dos alunos. Durante o curso, propus algumas performances de clássicos como o “Tico-Tico no Fubá” e músicas mais elaboradas como “Beatriz”, do Chico e Edu Lobo. Mesmo cantando em português, o entusiasmo e curiosidade sempre estiveram presentes no público.

Na New School tive aulas sobre música brasileira como o “Choro Ensemble” e “Brazilian Drum Workshop”. Por isso, vejo ainda um grande espaço e receptividade para que os brasileiros ofereçam novas produções musicais.

BME: O que você acha que falta para a música contemporânea brasileira ser conhecida lá fora do mesmo modo que a Bossa Nova?

Lisa: Para mim, o que abriu espaço de corações, mentes e ouvidos e traduziu a brasilidade no exterior foram as inovações a partir da Bossa Nova e da MPB clássica, como os sambas-canções e Tropicália.

O que vai fazer a nova música brasileira ser conhecida lá fora do mesmo modo que foi a Bossa Nova são as ações colaborativas e de associação entre músicos e compositores. A força de um movimento conjunto é muito maior do que o esforço individual. Dessa forma, se chegarmos juntos como estamos fazendo os sete brasileiros indicados ao 16th Independent Music Awards, nós estaremos nos comunicando melhor.

BME: O que você acha do número de brasileiros indicados ao prêmio?

Lisa: O fato desta premiação da música independente ter indicado sete brasileiros, enquanto em toda a história do prêmio (15 anos) houve apenas outras sete participações de brasileiros, mostra que há espaço e que talvez seja o momento dos artistas brasileiros no mercado internacional.

Parece que a música brasileira agrada todos os povos do mundo. Traz características da tranquilidade carioca (apesar de tudo o que está acontecendo), da alegria baiana, da personalidade paulista, da força porto-alegrense ou da magia goiana. Ou seja, dessa mistura de ritmos e sutilezas regionais podemos conseguir novas admirações, e levar junto ritmos e características de toda a região sul-americana, mostrando que a música é e continuará sendo uma expressão universal.

BME: Na sua opinião, qual a importância de projetos como o BME para a exportação da música brasileira?

Lisa: É fundamental! Não é fácil sair a campo com a cara e a coragem para apresentar a música brasileira em outros países. Há inúmeros locais onde é possível se apresentar, com públicos interessantes. Mas, se não houver quem ajude a identifica-los e promova a aproximação, se torna quase impossível descobrir essas oportunidades. Toquei com músicos de Portugal, do México, da Coréia e muitos americanos.

Por isso, uma plataforma de exportação da música brasileira pode ser a chave para que a gente renove o conhecimento internacional com os jovens artistas brasileiros que estão produzindo coisas sensacionais, e que não podem mais “morrer na praia”.

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