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Entrevista com Alexandre Guerra, compositor de cinema e maestro paulistano

Entrevista com Alexandre Guerra, compositor de cinema e maestro paulistano

Alexandre Guerra: “Eu vejo com surpresa e otimismo, no Brasil, as possibilidades de um mercado que nunca imaginei, quando me formei.”

Palestrante na edição de 2017 do Brasil Music Summit, o compositor e maestro paulistano Alexandre Guerra começou a carreira aos 24 anos. Hoje, aos 47, ganha cada vez mais notoriedade; graças às composições de trilhas para o cinema. Dentre os títulos, estão as produções brasileiras “Tempo e o Vento (2013)”, “O Vendedor de Sonhos (2016)”  e “Brasil Animado (2011)”, primeiro longa 3D brasileiro.

Especializado nas trilhas sonoras para cinema, o profissional iniciou sua trajetória com incentivo do pai, Carlos Guerra, que já trabalhava com produção de som para filmes publicitários. Com isso, arriscou-se no mundo como arranjador e compositor. Algo que, em 1990, rendeu a ele uma bolsa de estudos na universidade norte-americana Berklee College of Music.

Alexandre também compõe para obras sinfônicas e de câmara. Um de seus trabalhos mais recentes, é: “Poemas Para Piano”, onde explora as possibilidades texturais do piano, com claras influências impressionistas e românticas. Seu álbum mais recente, chama-se: “Fantasia”, lançado em abril de 2018.

Quando ainda estava nos EUA, assinou os arranjos de “Girassol’, de Ed Lima, o que rendeu a ele o prêmio Sharp de Música. Ao voltar para o Brasil, o cinema nacional vivia um importante momento de renascimento e, após trabalhar por um período com publicidade, assinou sua primeira trilha para um longa metragem,“Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia”.

O artista teve alguns trabalhos pela Tratore, distribuidora especializada em artistas independentes e parceira do Brasil Music Exchange (BME), projeto de exportação de música brasileira realizado por meio de uma parceria entre a Brasil, Música & Artes (BM&A) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

 

Alexandre Guerra em foto promocional de "Poemas para Piano"

Alexandre Guerra em foto promocional de “Poemas para Piano”

Em entrevista para o BMA, Alexandre Guerra compartilhou sua visão sobre o mercado brasileiro:

Você foi um dos palestrantes convidados da primeira edição do Brasil Music Summit. Em sua opinião, o que mudou do cenário musical nacional, desde o evento, até o dia de hoje?

Acredito que com a entrada da Netflix e a promessa de produção de muitas séries, existe uma expectativa de aumento de demanda no mercado, assim como o nível e a exigência de qualidade dos profissionais e dos trabalhos realizados.

No primeiro Brasil Music Summit , foi plantada uma ideia que ainda é muito nova para o mercado nacional: O conceito de Music Supervisor, que no mercado americano é uma posição consolidada, tratando-se do profissional responsável por olhar a música como um todo, dentro de uma obra audiovisual.

A figura desse especialista, que encontra a melhor adequação de música para um filme ou série e tem muitos contatos da área, é muito específica e importante para a qualidade da obra.

Outra porta que foi aberta pelo Brasil Music Summit, e que acredito que será expandida na segunda edição, é a questão do evento servir de vitrine da música brasileira para o mercado internacional.

O mercado brasileiro lucra, através da indústria musical menos da metade que países de PIB semelhante. Tendo estudado e vivenciado o trabalho como compositor aqui e em outros países, o que você acha que falta para que o cenário alcance todo seu potencial?

Com relação ao mercado audiovisual, os orçamentos do filme são inferiores e consequentemente, a fatia para áudio é menor. Diferente de países como a França, que não sofreu as mesmas interrupções que sofreu o cinema nacional.

O cinema brasileiro ainda busca, não apenas sua regulamentação, como também um equilíbrio orçamentário que justifique a produção. Hoje, isso ainda é muito irregular, mesmo a participação de músicas em filmes brasileiros ainda é muito tímida, diferente de filmes estrangeiros; onde a presença de músicas é muito maior.

Passamos por um momento de criação de mecanismos, métodos e padrões que regulamentem esse sistema de uso e licenciamento de músicas e contratação de profissionais. Infelizmente, problemas de ilegitimidade e pirataria ainda são recorrentes.

Comparado a quando começou a carreira, quais suas expectativas em relação ao mercado para os próximos anos?

Me formei na faculdade de música para cinema em 1995 e na época o Brasil estava retomando sua indústria cinematográfica, com pouquíssimos filmes anualmente.

Eu voltei para o Brasil sem saber se existiria um mercado para atuar como compositor. Mesmo a produção independente, e destinada a televisão, ainda era tímida.

Ao longo dos anos, esse processo se estabeleceu de forma bastante intensa, pois os canais foram exigidos a transmitir conteúdo local. Tempo depois, os canais privados também foram exigidos, o que impulsionou ainda mais a produção nacional.

Eu vejo com surpresa e otimismo um mercado que nunca imaginei, quando me formei, que passou a existir em um tempo relativamente curto. Estamos falando de menos de 30 anos que trouxeram mudanças e um crescimento muito relevante.

A segunda edição do Brasil Music Summit irá ocorrer em 2019. Na sua opinião, qual a importância desse tipo de evento para os profissionais (e estudantes) do mundo musical?

O Brasil é um processo em construção, quando falamos em audiovisual. Estamos montando uma indústria e isso não é apenas em relação aos equipamentos, mas principalmente aos profissionais que têm cada vez mais recursos e são cada vez mais procurados, assim como exigidos. Isso em todas as áreas do setor.

Profissionais de outros país estão vindo ao país para compartilhar seu conhecimento e concorrer às oportunidades com nossos profissionais, o que aumenta a necessidade de mais especialistas.

O Brasil Music Summit é uma recorrência dessa modificação de mercado, da necessidade de preparar as pessoas para essa nova realidade de demanda de produção.

O contato com quem já domina o processo é essencial, pois essa troca de informações e experiência encurta o caminho, é um olhar a partir de pessoas que já experimentaram diversas direções e encontraram as melhores e mais efetivas para efetuar determinado processo.

Na música isso é muito pertinente, sendo um ótimo exemplo a profissão de Music Supervisor, que não é o compositor, não é o artista convidado, mas sim uma figura que tem visão ampla de todas as fontes musicais e faz a ponte entre estilos diferentes para uma produção.

Você pode ler mais sobre a carreira de Alexandre Guerra em seu site oficial.

Sobre o BME

O Brasil Music Exchange (BME) é um projeto de auxílio à exportação de música desenvolvido desde 2002 por meio de uma parceria entre a Brasil Música & Artes (BM&A) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Para essa finalidade, o BME realiza diversas atividades de promoção de negócios e imagem internacional.

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